quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Depois de acusações de racismo, espetáculos foram modificados

Os Fofos na primeira versão de "A Mulher do Trem" (esq.) e depois das modificações (dir.)

O fechamento de uma exposição em Porto Alegre no domingo (10) depois de protestos de internautas levantou debates sobre como trabalhos artísticos podem ser modificados após manifestações populares.

Em 2015, a peça "A Mulher do Trem", versão do grupo os Fofos Encenam para uma comédia de costumes francesa, foi acusada de racismo pelo uso de blackface (brancos caracterizados como negros com pintura), e uma sessão no Itaú Cultural foi cancelada. No lugar, instituição e companhia decidiram fazer um debate sobre racismo.

A peça criada em 2002 faz uso da linguagem do circo-teatro, com maquiagens exageradas. Desde a polêmica, os Fofos fizeram modificações : todos os personagens tiveram os rostos coloridos —de dourado, azul, verde, cor-de-rosa.

No ano passado, outro espetáculo foi centro de controvérsia. "Exhibit B", do sul-africano Brett Bailey, já tinha ocasionado protestos um ano antes em Paris e Londres. Na peça, o diretor recria, com atores negros, os zoológicos humanos da Europa do século 19. Segundo Bailey, a obra é crítica e antirracista.

O trabalho, que seria encenado na MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, foi alvo de protestos, e sua participação no festival acabou cancelada -segundo o evento, por um corte de verba.

Já em julho passado, espectadores negros questionaram o fato de a atriz Georgette Fadel, que é branca, interpretar uma poeta negra em "Entrevista com Stela do Patrocínio", peça em circuito há 12 anos e que voltou ao cartaz na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.

Depois disso, Fadel transformou o espetáculo num debate, com artistas e o movimento negro, para repensar o formato da produção e os limites da representação de brancos sobre questões e personagens negros.


Via Portal Folha de S. Paulo
Postar um comentário

AS MAIS ACESSADAS

Da onde estão acessando a Maria Preta