segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Na minha pele. #racismoaquinão

Publicitário João Silva

Por Deise Ventura via Face:

Não confie nos elogios emocionais e vagos da contracapa do livro de Lázaro Ramos. "Na minha pele" pode se tornar um marco, por ao menos duas razões. Primeiro, por ser uma tentativa potente de comunicação. Lázaro busca, com total entrega, uma nova forma de falar sobre o racismo. Sem renegar o acervo do movimento negro, do qual retira instrução e engajamento, o autor usa sua liberdade de artista para explorar as possibilidades de ser ouvido e de ouvir. Rompe, assim, o confinamento dos discursos impecáveis que retroalimentam os iniciados e vão cavando um fosso cada vez maior entre ativistas e não ativistas. Sua franqueza é uma chance concreta, das raras, de criar pontes entre os mundos isolados pela polarização política - e eu diria até cultural - que nos assola. A segunda característica é ainda mais potente: Lázaro se mostra como exceção que confirma a regra, a famigerada regra, por vezes velada, por vezes explícita, da discriminação racial no Brasil. Tão mais confortável seria se ele permanecesse calado, constituindo a forjada prova de que não há racismo e de que os negros possuem oportunidades iguais, até de ser protagonista de programas da Rede Globo! No livro, o reconhecimento pela indústria cultural de seu sucesso profissional, seu talento, sua linda família e de sua própria lindeza não são apresentados como tributo à suposta tolerância das elites. Ao contrário, ele parece saracotear entre os espaços alternativos e a grande mídia sem esquecer quem é, preocupado com o que todo mundo deve poder ser, seja qual for sua cor, seja quem for. Eis um gênio não hermético, plenamente contemporâneo, tentando ampliar as margens do que se pode fazer nesse Brasil caquético. Longa vida a Lázaro Ramos!
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