quinta-feira, 20 de julho de 2017

Fratricídio - Cristiane Sobral


FRATRICÍDIO

Cristiane Sobral

Corrupção preta dói demais
Chibatada dentro da senzala fere infinitamente.
Até tu, Zumbi?
Espera aí, Feitor!
“Pouca tinta”, eu?

Separe todos os matizes da negritude brasileira
Desintegre todas as identidades
Ficaremos com um nada aguado.
O mestiço não é nem o sim nem o não, é o talvez.
Mentira!
Pergunte ao porteiro do prédio
Interrogue o policial
Eles não terão dúvida em apontar a consistência da minha melanina.

Sou negra
Meus dentes brancos trituram qualquer privilégio retinto
Meu sangue negro corrói a hipocrisia parda
Mela o mito da democracia racial
Corre maratonas libertárias negrófilas
Rasga as entranhas e reluz.
Das cinzas à fênix.

No fundo do olho há uma verdade viva,
Muito além da cor.


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