quinta-feira, 29 de junho de 2017

iPhone, o produto que mudou tudo, completa 10 anos


São Paulo – “De vez em quando vem um produto revolucionário que muda tudo.” Essa palavras foram usadas por Steve Jobs, então CEO da Apple, antes de apresentar a uma plateia ansiosa o iPhone, lá no início de 2007. No dia 29 de junho do mesmo ano, ou seja, há dez anos, as vendas do iPhone começavam. Hoje, não é exagero dizer que Steve Jobs tinha razão: o iPhone mudou tudo.

“Essencialmente, o iPhone mudou como as pessoas pensam nos telefones celulares”, diz a EXAME.com Tuong Nguyen, analista principal de pesquisa da consultoria Gartner. “Em países como o Brasil, o smartphone virou um dispositivo central na vida das pessoas. É com ele que elas se comunicam, se divertem e fazem negócios.”
No início de 2007, Jobs resumiu o produto como um iPod, um telefone celular revolucionário e um “dispositivo de comunicação pela internet revolucionário”. “É internet no seu bolso”, disse Jobs, “pela primeira vez na história.”

Ao longo da última década, o iPhone mudou a relação que as pessoas têm com a tecnologia. “Antes, ao falar em computação, pensávamos em um desktop ou notebook. Com o smartphone, essa noção mudou completamente”, diz Nguyen. É uma mudança significativa ter um computador ao alcance dos dedos durante o dia todo.

“De vez em quando vem um produto revolucionário que muda tudo”, Steve Jobs, antes de anunciar o iPhone

Além disso, o smartphone da Apple sacudiu o mundo em um aspecto imprevisto no lançamento de sua primeira geração. Pela próxima década, falar sobre apps deixou de ser algo restrito a círculos nerds.

“O iPhone foi o balizador para uma nova onda de inovação. A plataforma que a Apple construiu quebrou paradigmas e possibilitou a criação de aplicativos que pudessem ser distribuídos globalmente”, fala a EXAME.com Eduardo Henrique, diretor de negócios internacionais e um dos fundadores da Movile, dona de apps como iFood, PlayKids, entre outros.

Uma indústria bilionária nasceu e causou pequenas revoluções em diversos setores. Uber, 99, entre outras, mudaram a mobilidade urbana. WhatsApp se tornou uma ferramenta massiva de comunicação pela internet. Netflix popularizou vídeos sob demanda. Foram dezenas de outras mudanças.

“A tecnologia é capaz de deixar as coisas mais baratas, menores, e mais acessíveis a todos. O iPhone é o exemplo mais bem-acabado disso”, diz a EXAME.com Peter Fernandez, CEO da 99.

O produto foi chave na subida da Apple ao posto de empresa mais valiosa do mundo, em 760 bilhões de dólares. “Para entender essa importância, basta ver que a Microsoft não se manteve nesse posto após um problema de entrada no mercado de dispositivos móveis”, afirma Nguyen.

Quando começou a apresentação do iPhone no palco da conferência Macworld de 2007, Steve Jobs afirmou que esperava por aquele dia havia dois anos. Ali, chegava ao fim o segredo de desenvolvimento do iPhone.

Três aparelhos em um


(Victor Caputo/EXAME.com)

O iPhone nasceu por conta de um medo da Apple, que previa que mais cedo ou mais tarde alguma outra empresa criaria um telefone celular com uma espécie de iPod embutido. O reprodutor de mídia havia trazido cerca de 45% das receitas da Apple em 2005, o que explica a preocupação da Apple. O plano inicial era trabalhar em conjunto com outra fabricante para oferecer esse produto. A escolhida foi a Motorola.

O resultado foi um modelo da linha ROKR que trazia um iPod dentro. Conhecido pelo seu alto grau de exigência e pela completa falta de delicadeza, Steve Jobs desistiu de continuar com parcerias do tipo após o primeiro lançamento. O biógrafo Walter Isaacson descreve a reação de Jobs. “Estou cansado de trabalhar com essas empresas estúpidas como a Motorola”, teria dito Jobs a outro executivo. A solução seria que a Apple trabalhasse em seu próprio smartphone.

Inicialmente, a Apple testou uma rodinha similar à que estampava a frente do iPod. O resultado, no quesito usabilidade, era pobre e frustrante. Foi preciso trazer inspiração de outro projeto secreto da casa: o iPad. Apesar de ter sido lançado posteriormente, o tablet começou a ser desenvolvido antes do que o iPhone. Ele era uma resposta a um produto que vinha sendo criado dentro da arquirrival de Steve Jobs, a Microsoft. Um funcionário da empresa de Bill Gates teria se gabado repetidas vezes a Jobs sobre um tablet que viria equipado com uma caneta stylus.

O espírito competitivo de Jobs aflorou e ele pediu ao time de desenvolvimento na Apple que criasse um tablet que funcionasse sem o auxílio de uma caneta ou de qualquer outro acessório. “Vamos mostrar como se faz.” Assim nasceu a ideia de uma superfície coberta de vidro e que tivesse um teclado virtual. A solução serviria bem no iPhone e acabou sendo escolhida.

Alguns testes com teclados físicos foram feitos, mas a solução não agradava àqueles envolvidos no desenvolvimento, sobretudo a Jobs. “Pensem em todas as inovações que seríamos capazes de implementar se usássemos um teclado na tela com software. Vamos apostar nisso e então encontraremos uma maneira de fazer funcionar”, teria dito Jobs quando optou por não usar um teclado físico, como os modelos BlackBerry.


“O iPhone definiu o que um smartphone é. O padrão, até então, era de teclados físicos, como os usados pela Nokia e BlackBerry”, diz Nguyen. “Todos os smartphones que vemos hoje ainda são muito mais parecidos com o que era o primeiro iPhone.”

A mudança mais significativa era a tela de 3,5 polegadas–enorme pelos padrões da época. Ele ainda trazia um sensor que virava a tela quando o iPhone fosse deitado. A câmera, de 1,9 megapixel, tinha boa performance mesmo em ambientes de baixa iluminação. O primeiro iPhone substituía uma dezena de outros gadgets–ao longo da década seguinte, ele poderia substituir muitos outros produtos.

Ao longo dos anos, o iPhone evoluiu e se transformou–até pela pressão de empresas concorrentes, que não ficaram paradas assistindo ao sucesso do iPhone [relembre cada modelo de iPhone lançado pela Apple]. As câmeras ficaram cada vez melhores e possibilitaram a chegada de apps como o Instagram e o Snapchat. Sensores internos fizeram com que ele substituísse o GPS para usuários de ambientes urbanos.

Com o iPhone 5s, a Apple popularizou os sensores de impressões digitais. O NFC, que, verdade, chegou tardiamente, serviu como base para o Apple Pay, serviço de pagamentos digitais da empresa. Outros sensores possibilitaram o uso do iPhone para controle da saúde.

O visual também mudou. A partir do iPhone 5, a tela deu uma esticadinha, chegando a 4 polegadas. A empresa demorou a assimilar a ideia de que o mercado queria displays ainda maiores. Foi somente em 2014 que o iPhone passou a ter dois modelos, o regular (com tela de 4,7 polegadas) e a versão Plus (com tela de 5,5 polegadas).

“Acredito que por mais promissor que o iPhone fosse, ninguém imaginaria o tamanho da mudança que traria”, fala a EXAME.com Breno Masi, gerente de produto da PlayKids. Masi ficou famoso globalmente após ser o primeiro a desbloquear um iPhone 3G. “Na minha vida foi um divisor de águas. Primeiramente, quando vi a oportunidade de desbloquear e utilizar o telefone no Brasil, e no ano seguinte, com o desenvolvimento de aplicativos que revolucionaram o dia-a-dia e a vida das pessoas.”

Apps

De certa forma, os aplicativos foram a grande revolução trazida pelo iPhone. Esse rico ecossistema permitiu o nascimento de aplicativos como Uber (avaliado em 50 bilhões de dólares), Snapchat (valendo 20 bilhões de dólares) ou WhatsApp, comprado pelo Facebook por 19 bilhões de dólares.

“A Apple democratizou o processo de desenvolvimento de aplicativos. No passado, era preciso ser uma grande empresa ou estúdio para desenvolver uma aplicação”, afirma Nguyen. “A App Store deu a oportunidade para pessoas comuns criarem aplicativos de milhões e milhões de dólares.”

“O iPhone foi capaz de possibilitar que qualquer pessoa ou empresa do mundo conseguisse ter distribuição global e vendas globais com apenas alguns cliques”, diz Masi.

Para que esse ecossistema comercial de bilhões de dólares se formasse, a App Store foi crucial. “A loja trouxe inovação na forma de se cobrar os usuários, com o registro do cartão de crédito”, afirma Eduardo Henrique da Movile. Outra função decisiva foi a possibilidade de entregar aplicativos globalmente. Ele ressalta que o modelo gerou ainda alternativas, como a Google Play, loja de apps para o sistema Android. Mesmo sistemas mais complexos, como um computador com Windows ou um Mac, adotaram esse modelo de distribuição de apps.

Graças aos aplicativos, a Apple criou um produto que pode ser qualquer coisa. Com o Instagram, a câmera vira um acessório retrô. Com o microfone, músicos amadores podem afinar seus instrumentos–é possível até gravar músicas usando GarageBand e outros apps. O acesso à internet mudou com a combinação entre redes móveis, navegadores e um computador pessoal de bolso. As chances de que você esteja lendo este texto em um smartphone ou tablet são altas.


(David Paul Morris/Bloomberg)

Além de substituir outros objetos, os aplicativos criaram novos mercados. A que o Snapchat, que funciona apenas em um smartphone, se compara? Ao mesmo tempo, aplicativos de transporte estão mudando e reconfigurando ambientes urbanos.

“A massificação do iPhone causou esta revolução nas comunicações que também está começando a acontecer na mobilidade urbana: os apps também vão deixar o transporte mais barato, com menos ocupação de espaço e mais acessível a todos”, afirma Peter Fernandez, CEO da 99.

“A visão da Movile é de melhorar a vida de um bilhão de pessoas com nossos apps”, diz Henrique. “Seria impossível atingir esse objetivo sem a entrega global de aplicativos. Em grande parte, a Movile foi uma empresa que conseguiu surfar essa possibilidade que o iPhone abriu.”

O futuro

Neste aniversário de 10 anos, a expectativa é que a Apple apresente um produto renovado. Tela com bordas infinitas e um novo design devem aparecer. Mas, no fundo, o produto ainda é uma evolução natural da primeira geração do iPhone.

O analista Tuong Nguyen, da Gartner, vê grandes mudanças acontecendo ao longo da próxima década. “A direção para onde a Apple deve ir é mudar a forma como lidamos com a tecnologia e nossa interação com as máquinas”, afirma. Na visão dele, o smartphone deve perder espaço como peça central ao longo dos próximos anos.


(Apple/Divulgação)

Isso deve ocorrer por conta de uma multiplicação de telas e dispositivos. “Imagine que você está na sua cama e deixou o smartphone fora do quarto. Mas você quer saber se um determinado filme é bom. Não será preciso ter o smartphone por perto, já que essa informação será acessível por meio de outros dispositivos”, diz Nguyen.

Novas formas de interação com máquinas estão surgindo neste exato momento. A Amazon faz sucesso no mercado americano com seu Echo, gadget equipado com a assistente Alexa. Detalhe, o produto sequer tem uma tela e toda interação é por meio de voz. A Apple já caminha nesse sentido. Recentemente, a empresa anunciou que irá começar a vender uma versão própria dessa central, o HomePod (na foto ao lado).

“A inteligência artificial gera uma onda de inovação que pode superar o smartphone”, explica Eduardo Henrique. “Vai se mudar a forma como pensamos em aplicativos. Eles serão robôs que interagem com usuários por meio de um chat. Os próximos 10 anos serão ainda mais inovadores do que os últimos 10 foram.”


Via Portal Exame
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