segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Detentas reformam escola no interior de São Paulo

O programa inclui 455 detentos de todo o Estado de São Paulo nas atividades de manutenção de 19 unidades de ensino.


Detentas e detentos podem e devem ter ocupações e atividades que ajudam na ressocialização com a sociedade.

A escola estadual Olímpio Catão, em São José dos Campos (SP), precisava pintar as paredes de onze salas de aula para receber 250 alunos no início do ano letivo. O problema é que a direção teria que desembolsar cerca de R$ 11 mil para comprar as latas de tinta e pagar a mão de obra. Dinheiro que a escola não tinha em caixa.

Foi aí que entrou em ação um programa do Governo do Estado em parceria com o Centro de Ressocialização Feminino de São José dos Campos. Um grupo de 23 detentas foi acionado para repaginar as paredes da escola. O Estado forneceu parte da tinta e as presas entraram com o serviço da pintura.

A detenta Francine Lima, de 33 anos, que está presa há um ano e cinco meses por ter assaltado um taxista, participou da ação. Ela foi condenada a cinco anos e meio de reclusão. O passado no mundo do crime ela quer deixar para trás e investir na sua qualificação.

“Foi uma loucura, me arrependo muito. Eu usava drogas e queria mais dinheiro para usar. Agora, quero investir em um curso de cabeleireira e na minha qualificação. Não quero mais saber dessa vida errada”, afirma.

Foto: Moisés Rosa/Meon

Apesar de nunca ter pintado uma parede, Francine afirma que essa oportunidade foi única. “É o primeiro ano em que participo e nunca tinha colocado um pincel na minha mão. A sensação em saber que as crianças vão gostar é muito boa”. “Quero ver tudo organizado por aqui”, disse referindo-se à escola.

A diretora da escola, Mariza Lunes Calixto, ficou satisfeita com o trabalho das detentas. “É algo incrível. Antes de começarem os serviços na escola acontece o diálogo inicial, de forma muito respeitosa entre elas. Outra coisa que nos chamou a atenção foi a qualidade do serviço e elas deram um outro visual para a escola”, contou. Além das salas de aula, parte da externa da escola também foi pintada.

Já a diretora do Centro de Ressocialização, Eliana Capostagno, explica que o trabalho feito pelas detentas é multiplicador. A cada 12 horas trabalhadas, elas abatem um dia da sua pena. “O programa teve início no ano passado e está surtindo efeitos positivos. Isso vai multiplicando de forma boa para elas, para que galguem uma vida melhor”, explicou. As detentas também recebem um certificado do curso pelo Via Rápido.

É a primeira vez que a escola Olímpio Catão foi contemplada pelo programa, que também acontece nas cidades de Pindamonhangaba, Potim e Tremembé. O programa inclui 455 detentos de todo o Estado de São Paulo nas atividades de manutenção de 19 unidades de ensino. Veja abaixo fotos da reforma da escola estadual do Potim, em fevereiro do ano passado.






Veja as fotos de como ficou a escola depois da pintura:




Com informações do meon / Fotos: Divulgação/SAP


Via Razões Para Acreditar
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