segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

PEQUENO SEGREDO, uma produção amadora, por DIOGO BERNI


Pequeno Segredo, de David Schürmann, Brasil, 2016. Não é que o filme seja ruim, pelo contrário. Fiquei surpreendido pela qualidade da obra. O diretor é irmão da protagonista e este é seu segundo longa. Entretanto cabe aqui uma ressalva: este foi o filme indicado para nos representar no Oscar 2017, e obviamente já foi eliminado na disputa do páreo como melhor filme estrangeiro.

Não cabe aqui a este crítico fazer ponderações político-partidárias acerca do merecimento ou não do filme ter sido o escolhido pelo Minc e seus gestores. Tá na cara que o filme pernambucano Aquárius do Kleber Mendonça Filho e protagonizado pela Sônia Braga é que deveria ter pegado a vaga e nos representar no Oscar, mas como o nosso principal órgão regulador do audiovisual, Ancine, fazendo uma infame e burra dupla com o vosso querido Minc, não poderíamos esperar outra coisa. 

Opiniões divergentes a parte, vamos a uma resenha do filme de um diretor de cinema que não é propriamente um cinéfilo de carteirinha, como dizem. Ele não é porque vivia dando voltas ao mundo com sua família em um barco: a família Schürmann, e por isso me surpreendi pela qualidade do filme, porque o diretor só teve tempo e vontade em se tornar um cineasta após ser maior de idade e fazer um curso universitário para tal finalidade. 

Então é crível e também amplamente visível termos no filme algumas câmeras colocadas de maneira errada ou em locais errados ( e isso sem falar nas escolhas das lentes de câmera ) na obra, isto é, faltou bagagem cinéfila para o cineasta. 

Bem, o filme conta a história da tal família Schürmann que vive aparecendo no Fantástico todo domingo na emissora global. Em certa parada em um porto da Nova Zelândia a família recebe um presente inusitado: uma filha. A mãe, brasileira do Pará, tinha morrido e o pai já estava a caminho. 

O roteiro foi bem construído por contar o filme em dois locais e tempos distintos. A mãe fora atropelada ainda no Pará e recebeu uma transfusão de sangue contaminado de HIV, de modo que eles só foram saber após chegarem de barco à terra natal do seu esposo, a Nova Zelândia. 

O pedido é feito e os Schürmann aceitam a bordo o bebê contaminado pelo vírus. Este é o segredo guardado a sete chaves pela mãe adotiva sobre a doença da filha, não contado nem mesmo para a criança. Mais uma vez replico: não trata-se de um filme ruim, mas nos representar no Oscar não seria pra tanto. Tomara que em 2017 o Minc e a Ancine estejam mais atentos a esses grosseiros erros de gestão.
*****
Minha Mãe É Uma Peça 2, César Rodrigues é o pai da criança , Brasil, 2016. Desde a primeira obra da trilogia o roteiro tenta vender a história da Dona Hermínia, mãe exatamente do protagonista do filme, o ator Luis Gustavo, mas a visualização da Dona Hermínia pode ter outros significados. Por exemplo, este aqui sempre viu um transexual e não uma interpretação de um homem fazendo o sexo oposto. 

Segui essa ideia a comecei a imaginar um transexual , pai ou mãe de três filhos , sendo que um já não morava com ela, mas os outros dois sim, e ainda divorciada(o). Ou seja: foi casado(a) com um homem , este sabendo que casaria com outro homem e partir daí adota três crianças já que fazê-las entre eles seria impossível. 

Tendo essa percepção o filme fica assistível, porque se quiseres encarar o Paulo Gustavo fazendo a dona Hermínia você não aguenta nem meia hora e vai embora. Isso só retrata como o povo é alimentado culturalmente como gado e idiota por o filme já ser o líder de bilheteria em sua semana de estréia. Mas voltemos a dona ou dono Hermínia(o). Esse transex fica com a síndrome do ninho vazio quando seus dois filhos se mudam pra São Paulo, deixando-a só em Niterói.

O cara vai a Sampa infernizar a vida dos seus filhos. Quando escrevi que o filme teria uma trilogia por termos na última cena o transex indo para Nova Iorque, lugar esse onde tinha uma irmã doidona interpretada pela eterna Vamp (novela) Patrícia Travassos. Nota 0 sem trocar o sexo do protagonista ou nota 4 se trocar. A palavra mais repetida do filme foi merda, talvez essa mesma resuma o filme.


Via BahiaJá
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