quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Makota Valdina - Ilê Omolu e Oxum


Cultne registrou com imagens e edição de Filó Filho em 14 de dezembro de 2013 o evento 'Seminário Nacional Ancestralidade, Memória e Patrimônio Afro-brasileiro" Ilê Omolu Oxum de Mãe Meninazinha da Oxum que contou com debates com diversos convidados e lançamentos de publicações como o .catálogo "Obirin Odara - Fazendo Arte com Axé", o guia de Direitos "Mulheres Guerreiras contra a Violência" do Ilê Omolu Oxum e o livro " "Meu Caminhar, Meu Viver" de Makota Valdina, que foi entrevistada pelo Teólogo e Professor Jayro Pereira para o Acervo Cultne.


Valdina Pinto de Oliveira mais conhecida como Makota Valdina, nasceu em 15 de outubro de 1943, na cidade de Salvador, Bahia. Desde a juventude, Valdina Pinto esteve envolvida com ações sociais na sua comunidade, acompanhando seu pai, Paulo de Oliveira Pinto, O Mestre Paulo e sua mãe, Eneclides de Oliveira Pinto, conhecida na época como D. Neca, que foi líder comunitária e primeira referência política da filha. Em sua adolescência à fase adulta, Valdina desenvolveu diversas atividades assistenciais à população, concentrou na alfabetização de adultos como principal área de trabalho. 

Em 1975, é iniciada na religião do Candomblé. No Terreiro Tanuri Junsara, Sendo confirmada para o cargo de Makota -- assessora da Nengwa Nkisi (Mãe-de-Santo). Recebe seu nome de origem africana, tornando-se a Makota ZIMEWAANGA. A iniciação numa religião de matriz africana impõe a Valdina Pinto uma revisão da sua história e da cultura na qual havia sido criada. Todo um conjunto de práticas cotidianas vivenciadas por ela desde a infância no quilombo do Engenho Velho da Federação passa a adquirir novos significados, importância e sentidos a partir das lições aprendidas no terreiro de candomblé.

Entre 1977 e 1978, Valdina Pinto integra a primeira turma do Curso de Iniciação à Língua Kikongo, ministrado pelo congolês Nlaando Lando Ntotila no Centro de Estudos Afro-Oriental (CEAO), marcando uma nova etapa no aprofundamento dos seus estudos sobre as culturas de origem bantu no Brasil -- sobretudo nos aspectos religiosos. Seu pensamento é de que a comunidade de terreiro não deve fechar-se em si mesma, buscando, ao contrário, relacionar-se com os organismos políticos e sociais externos que sejam necessários à manutenção e consolidação das tradições vivenciadas no terreiro -- tradições que, por outro lado, ela defende que sejam estas sim, resguardadas exclusivamente ao contexto religioso de quem as pratica. Vale ressaltar que, ainda em tempos de ditadura política no Brasil, a Makota Valdina tornou-se a primeira mulher a presidir a Associação de Moradores do seu Bairro, enfrentando preconceitos políticos e de gênero, dada a suas inclinações oposicionistas e ao fato mesmo de estar numa função até então ocupada por homens.(Mulheres Notáveis)

Fonte: Cultne Acervo
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