sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Série de imagens das ruas de Nova York nos anos 1980 celebra a cultura do Hip Hop


Dois relâmpagos atingiram os transmissores de energia da cidade de Nova Iorque em 13 de julho de 1977, deixando a cidade – que passava por uma grave crise econômica, estando praticamente falida – em um intenso e total blackout. Os dois raios e a escuridão, porém, foram a faísca para a consolidação e a disseminação do movimento Hip Hop.

O que para muitos parecia um perigoso transtorno, para os jovens do Bronx foi uma oportunidade: no blackout, aproveitaram para gentilmente pegarem “emprestado” uma série de equipamento de som em lojas. O som que, no dia anterior, era praticamente restrito ao Bronx, no dia seguinte estava disseminado por toda a cidade; havia enfim um DJ por esquina, e a revolução do Hip Hop então começou.


Quando o fotógrafo Jamel Shabazz retornou do tempo em que serviu o exército para Nova Iorque, em 1980, a cultura Hip Hop começava a viver seu auge, amplificada nas ruas pela juventude negra, que novamente se orgulhava de suas origens, sua aparência, sua posição, e encontrava nessa música um espelho importante de si para se afirmar. Foi esse espírito que Jamel decidiu registrar pelas ruas de Nova Iorque – em um momento em que a cidade voltava a fervilhar, antes de ser invadida pela cocaína e, principalmente, pela AIDS.


“Era o tempo do Rap e do Hip Hop conscientes, e artistas como KRS-One, Queen Latifah e Public Enemy se importavam somente com a cultura, então eu vi muito orgulho racial, pessoas vestindo roupas e estampas tradicionais africanas, celebrando sua história e cultura”, afirma Jamel. As roupas e a atitude serviam de fato como uma orgulhosa representação de si, um cartão de visitas que ia para muito além do status econômico.


No início Jamel fotograva seus amigos, mas aos poucos ele expandiu seu campo de interesse para todas os jovens em reconhecesse esse espírito – usando sua câmera, portanto, para ele próprio se comunicar com o sentido da época, realizando por um fim um vívido registro de uma época em que uma cultura musical se misturava com o próprio sentido político, social e existencial de uma geração.









Todas as fotos © Jamel Shabazz


Via Hypeness
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