sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Preto e dinheiro são palavras rivais???


Precisamos aprender a reconhecer algo histórico, e nesta semana aconteceu algo pra lá de histórico, que foi o lançamento da marca Lab, do rapper Emicida e seu irmão Fióti, no maior evento de moda da América Latina, o São Paulo Fashion Week.

O lançamento foi histórico por inúmeros motivos, o desfie conseguiu inserir praticamente todos os elementos que a galera da militância vive reclamando não ter, e quando tem, vem gente reclamar, e esse meu texto de hoje é direcionado especialmente pra essa galera.

Primeiro é importante que se diga que a Laboratório Fantasma já existe há um bom tempo no mercado, ela funciona como gravadora, produtora, veículo cultural e etc.; posso dizer que estou falando de um coletivo criado para promover o hip-hop, cultura urbana e negra no geral, além de outras coisas mais, e dessas coisas mais surgiu uma marca de roupa, que até pouco tempo vendia as roupas de sua última coleção pelo singelo preço de R$14,00. Isso tudo já mostra como o Emicida sempre foi um cara além do seu tempo, um artista nato, um empresário visionário, um preto sem amarras, e ele está mais do que certo, pois os nossos antepassados já ficaram amarrados por muito tempo, o equivalente a diversas gerações futuras, e agora essa geração futura vem dizer que temos que ficar presos novamente, não dá mais!

Apesar de já ter feito muita coisa, Emicida resolveu ir além, e da Laboratório Fantasma ele lançou a Lab, uma coleção que vem com uma nova roupagem, metendo o pé na porta do mercado da moda

Nos meus trinta anos de vida, eu nunca vi um cara preto, que saiu da pobreza, lançar sua marca de roupa e já de cara fazer o lançamento em um evento que é referência mundial em termos de moda. Se isso não é tirar onda pra você, pra mim é, e muito!

Outro ponto extremamente importante do desfile, e pra mim o mais relevante de todos, é a questão da representatividade, pois praticamente todos os modelos eram pretos, sem contar que o estilista também era, e não é isso que a galera vive reclamando? Além disso, a marca ainda se preocupou em colocar modelos gordos, mas eu não estou falando daqueles gordinhos sem barriga que aparecem na maioria dos desfiles plus size, eu estou falando de gordo de verdade, de pessoas que precisam de roupas 5G, e na Lab elas vão encontrar essas roupas

Mas o Emicida e o seu irmão Fióti poderiam ter ficado só por aí, afinal, uma porrada de pretos juntos em uma passarela já era história pra caramba, já seria um feito e tanto, mas eles ainda foram além, pois a marca ainda se preocupou em lançar estampas com temáticas africanas, tudo atrelado a história de Yasuke, um samurai preto que eu nunca havia ouvido falar, mas conheci graças a Lab. Olha que sensacional isso! Você lança uma grife e ainda transmite cultura com isso tudo; procure lá sobre o Yasuke, a parada é maneira, tem desenho e tudo, a criançada vai se amarrar. Em breve eu vou lançar um livro chamado Piye, que já está pronto, só falta editora, e Piye, pra quem não sabe, foi o primeiro grande Faraó do Egito negro, e por isso eu achei sensacional a história de Yasuke.

No meio de tanta representatividade, ainda tivemos como modelos: Seu Jorge, Cris Vianna, Karol Conka, Rashid, a ex-Globeleza Nayara Justino, que foi praticamente demitida do cargo por ser preta demais, você se lembra dela? Pois então, toda essa galera estava lá, entre muitos outros, inclusive modelos que moram em favelas.

Mas tudo isso não foi o suficiente, ainda teve muita gente reclamando, e gente preta, até porque não vi pessoas brancas comentando sobre o assunto, e mesmo se visse, não faria diferença pra mim, pois o que mais me incomoda é quando eu vejo preto criticando preto, principalmente quando esse preto parece se incomodar com a evolução do outro preto, porque eu só consigo entender dessa forma, já que no meu facebook eu já questionei três irmãos que se mostraram contrários ao desfile, pedi apenas para eles me mostrarem uma solução, já que o problema eles haviam apresentado, só que até agora ninguém soube responder.


Por Bruno Rico Do Afro21
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