domingo, 27 de novembro de 2016

Mãe descreve racismo contra a filha e faz apelo emocionante: ‘Triste por mim e por ela’


Não foi a primeira vez que X., de 12 anos, chegou à casa triste. Mas, nesta terça-feira, a adolescente chegou ao seu limite. Chorando muito, a menina precisou da ajuda de uma amiga para verbalizar para a mãe as cenas que viveu na escola, em Nova Iguaçu, e em todo o trajeto até chegar em casa: ela sofreu com a discriminação por conta dos seus cabelos crespos em atos racistas com deboche, xingamento e intimidação. Os cerca de cinco colegas chegaram inclusive a ameaçar a garota com a postagem, no Facebook, que tiraram dos fios. Assustada com o desespero da filha, Renata Silva dos Santos, de 30 anos, escreveu um relato emocionante em seu perfil na rede, e fez um apelo para que situações como esta não se repitam.

No texto, ela descreveu o que aconteceu com a menina e pediu o fim de atos como esse. “Não ao preconceito, nossos filhos negros e negras merecem respeito. Cor da pele, cabelo crespo ou liso não fazem o caráter de ninguém. Quantas como ela não chegaram em casa chorando ontem, vão chegar hoje e amanhã? Vamos dar um basta nisso através de uma rede social ou de qualquer maneira! Eu ia me calar, mas minha filha ia sofrer de novo e isso não posso permitir, porque já sofri quando criança e me calei. Hoje não vou me calar”.

Ao EXTRA, Renata falou de sua reação quando soube o que acabara de acontecer com a menina:

— Eu me vi nela. Quando era criança, me chamavam de neguinha do cabelo duro, cabelo de bombril, então quando vi o que ela tinha passado fiquei triste por ela e por mim. Ela sofre com racismo desde o maternal, quando tinha 2 ou 3 anos. Um dia, uma menina disse para outra amiguinha não brincar com a minha filha porque ela é preta — contou Renata, que está desempregada há um mês.

O post, forte e amoroso, tomou conta das redes sociais e, em menos de 24 horas, já tinha mais de quatro mil compartilhamentos e centenas de comentários de encorajamento. Feliz da vida, Renata espera que tantas palavras de apoio ajudem a filha e outras meninas que passam por situações de racismo.

— Já era para a minha filha acreditar que ela é linda, porque ela é. Mas agora acho que, com tantas mensagens, ela vai finalmente acreditar. Espero também que essa mensagem chegue a outras pessoas, para que ninguém passe por essas mesmas coisas. Não quero mais ver a minha filha tímida, retraída, tentando se esconder atrás de mim nas festas — diz Renata, por telefone. Nesse momento, o coração de mãe se alivia. X. acabava de chegar da escola: — Estava com medo de represálias, porque fui reclamar e as coordenadoras conversaram com os alunos que fizeram isso — revelou a mãe.

Enquanto a unidade de ensino não toma uma providência com relação aos outros estudantes, Renata quer aproveitar o sucesso da postagem: à adolescente, foram oferecidas sessões de fotos, entrevistas, presentes e muitos elogios. Para a mãe, uma oportunidade de resgatar a autoestima da menina:

— Se os alunos não forem punidos pela escola, vou à polícia. Mas agora é momento de cuidar da minha filha, que precisa de apoio — afirma.

Veja o desabafo, na íntegra:

Por Carla Nascimento, do Extra 
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