segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Casal gay diz ter sido demitido do trabalho após oficializar união em GO


Jovens contam que sempre foram vítimas de chacotas: ‘Preconceito’.

Empresa nega que demissão esteja ligada à orientação sexual, em Goiânia.

Um casal homossexual denuncia que foi demitido do trabalho por preconceito após oficializar a união, em Goiânia. Auxiliares de estoque, Geferson Ribeiro de Souza, de 21 anos, e Daniemerson Brito da Silva, de 26, contam que foram desligados da empresa no dia em que voltaram da licença-casamento com a alegação que faltaram dois dias indevidamente, o que, segundo eles, não ocorreu. A empresa nega que a demissão esteja relacionada à orientação sexual dos jovens.

“Atribuo a nossa demissão ao preconceito. Não tinha outro motivo para sermos demitidos”, disse ao G1 Daniemerson.

Os rapazes namoraram por dois anos. No dia 5 de novembro, eles registraram o casamento em cartório e, logo depois, fizeram uma cerimônia para celebrar a união. Eles contam que foram até a empresa em que trabalhavam, a WB Componentes, na segunda-feira seguinte, 7 de novembro, para apresentar a certidão de casamento.

Segundo os jovens, o departamento de Recursos Humanos os informou que, por causa da licença-casamento, deveriam voltar ao trabalho na quinta-feira (10). Ao retornar, eles foram demitidos.

“Retornamos na quinta-feira e fomos comunicados que seríamos desligados porque prejudicamos a empresa ao faltar dois dias. Só que foi o dia que eles determinaram. Colegas nos disseram que ficaria feio para a empresa ter dois caras casados”, relatou Silva.

De acordo com Geferson, ele já trabalhava no local antes de conhecer o marido. Durante o relacionamento, o jovem diz que pediu ao superior direito uma vaga para o então namorado. Em janeiro deste ano, Daniemerson foi contratado pela empresa.

A WB Componentes nega que a demissão tenha sido motiva pela orientação sexual dos jovens. Por telefone, o advogado da empresa, Tabajara Póvoa, disse ao G1 que o desligamento deles “não teve nada a ver com qualquer tipo de discriminação porque a empresa não tem essa conduta”. Ele disse que, para preservar os jovens, não vai expor os fatores que levaram à demissão.

Além disso, segundo Póvoa, desde a contratação de Daniemerson a empresa sabia que ele tinha um relacionamento com Geferson e isso não impediu o procedimento. “Se isso não foi problema para a contratação, o mesmo não seria motivo para a demissão. O fato de formalizar um papel não faz diferença”, declarou o advogado.


Série de humilhações

Geferson conta que sempre sofreu com chacotas, mas elas aumentaram muito quando o companheiro passou a trabalhar no local. De acordo com o jovem, o casal era alvo de piadas do chefe direto e de pelo menos de mais doze colegas.

“Chamavam a gente de boneca, viado, bichinha. A gente só ouvia isso, ninguém chamava pelo nome. Se iam apresentar um colaborador novo, diziam: ‘Cuidado, ele vai dar em cima de você. É homem que pega homem’”, relata.

O casal conta que se sentia humilhado e constrangido. Inclusive, já tinha pensado em deixar o trabalho por causa do preconceito. Porém, os jovens não pediram demissão porque precisam de dinheiro. “A gente se sentia para baixo, humilhado. A gente saía de casa cedo e chegava em casa estressado”, lembra Geferson.

A defesa da WB Componentes afirma que a empresa “nunca tomou conhecimento” da situação e que “foi tomada de surpresa por essas alegações”.

Advogado do casal, Danilo Belo Honório defende que a companhia sabia da situação. Ele diz que entrará na Justiça com uma ação de reparação pelos danos morais sofridos pelos clientes.

“Esse tipo de discriminação é uma afronta ao principio de dignidade da pessoa humana. Nesse caso, era dever do empregador coibir a prática desses atos discriminatórios no ambiente de trabalho e a empresa utiliza como justificativa da demissão alegando que faltaram dois dias depois da licença-casamento, mas isso não é verdade. Ficou claramente caracterizado o preconceito e a discriminação tanto pelo fato de terem sido demitidos após o casamento tanto por todas as piadas e chacotas suportadas durante o trabalho deles”, conclui Honório.


no G1
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