terça-feira, 18 de outubro de 2016

Mudança climática cria dúvidas sobre disponibilidade de alimentos, diz FAO

Situação ameaça elevar número dos que passam fome.
Demanda mundial de alimentos em 2050 subirá 60% sobre níveis de 2006.

A mudança climática está semeando dúvidas sobre a disponibilidade de alimentos, o que pode representar no futuro um aumento da fome e da pobreza no mundo se não forem tomadas medidas urgentes, advertiu nesta segunda-feira (17) a FAO.

Mudança climática cria dúvidas sobre disponibilidade de alimentos. (Foto: Reprodução/ TV TEM)

O diretor-geral da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, explicou em entrevista coletiva que "a mudança climática devolve a incerteza ao nunca mais poder assegurar que será obtida a colheita correspondente ao que foi plantado".

Essa situação ameaça elevar o número de pessoas que passam fome e a volatilidade dos preços dos alimentos básicos, que "todos já estão pagando, e não só os que estão sofrendo com as secas", afirmou Da Silva.

Segundo diversas estimativas, para 2030 poderia haver entre 35 e 122 milhões de pessoas a mais imersas na pobreza pelo efeito da mudança climática em comparação com um futuro sem dito fenômeno.

Além disso, calcula-se que a demanda mundial de alimentos em 2050 aumentará pelo menos 60% acima dos níveis de 2006 devido sobretudo ao crescimento da população e à rápida urbanização.

O relatório bienal da FAO sobre o estado mundial da agricultura e a alimentação alerta que uma queda na produção agrícola derivaria na escassez de alimentos, afetando ainda mais regiões expostas como a África Subsaariana e Ásia meridional.

Da Silva pediu introdução de medidas de adaptação e mitigação da mudança climática no setor primário, levando em conta que "os mais afetados dos países pobres não podem pagar seu custo", por isso que pediu mais políticas e recursos públicos para ajudar na luta contra o aquecimento global.

No mundo existem cerca de 475 milhões de pequenos agricultores com baixos ingressos que frequentemente sofrem com obstáculos como o acesso limitado aos mercados, ao crédito, à informação meteorológica, às ferramentas de gestão de riscos e à proteção social.

Especiais dificuldades são encontradas pelas mulheres, que constituem 43% da mão-de-obra agrícola nos países em desenvolvimento, segundo o relatório.

O responsável de Desenvolvimento Econômico e Social da FAO, Kostas Stamoulis, precisou que é preciso empreender ações urgentes e que as consequências do clima para a agricultura serão notadas a longo prazo.

Stamoulis considerou que atualmente existem muitas tecnologias que podem ser aplicadas para diversificar os ingressos dos lares rurais com atividades dentro e fora do setor primário, de modo que sejam capazes de tramitar melhor os riscos.

Vinte um por cento das emissões globais de gases do efeito estufa são causadas pelo desmatamento, pecuária e gestão de solos e nutrientes.

Para diminuir essas emissões, é possível empregar práticas sustentáveis que consistem, por exemplo, em integrar os cultivos, o gado e as árvores; empregar variedades eficientes em nitrogênio e tolerantes ao calor, e semear diretamente sem arar.

Conter o desmatamento das florestas é outra das ações prioritárias, assim como reduzir tanto as perdas e os desperdícios de alimentos como os gases poluentes durante os processos de produção, transporte, elaboração e venda desses produtos.

O estudo adverte que a adoção dessas práticas ainda é muito limitada, já que é obstaculizada por políticas -como as que subvencionam os químicos- que estimula uma produção insustentável com o meio ambiente ao invés de promover a eficiência no uso dos recursos naturais e sua conservação.

Depois que quase todos os países signatários do Acordo de Paris no ano passado tenham se comprometido a atuar contra a mudança climática na agricultura, o diretor-geral da FAO insistiu que os responsáveis políticos devem selecionar e coordenar melhor seus esforços a favor da produção sustentável.


Da EFE
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