terça-feira, 20 de setembro de 2016

Com aquecimento global, cidades terão de lidar com enchentes constantes



Equipes de resgate retiram moradores de Carlisle durante enchente em dezembro de 2015

Depois que essa antiga cidade fortificada foi atingida por uma terrível enchente em 2005, seus habitantes se reconfortaram com o fato de que aquele era o tipo de dilúvio que só acontece uma vez a cada 200 anos.

Mas a enchente voltou quatro anos depois. E de novo no inverno do ano passado, quando a tempestade Desmond trouxe um volume de chuvas nunca antes visto, transformando estradas em rios, campos em lagos e salas de estar em lagoas.

"Eu realmente senti que corríamos o risco de morrer", afirmou Jonathan Bryant, que saiu com dificuldade de dentro do carro – ajudando a esposa, Diane, os dois filhos e o gato da família – depois que foram atingidos por uma enxurrada que os obrigou a enfrentar mais de meio quilômetro dentro da correnteza até chegaram em casa, debaixo de uma chuva torrencial, com ventos de quase 100 quilômetros por hora e na escuridão da noite.

Em muitos lugares, a ameaça do aquecimento global ainda parece distante, ou mesmo teórica. Mas esse não é o caso nessa cidade de 74 mil habitantes no extremo noroeste da Inglaterra, onde um dos rios ficou com um volume de água 30 vezes maior que o normal no ano passado.

Cerca de 2.000 residências e 500 empresas foram danificadas ou destruídas pela enchente e, em julho, milhares de pessoas ainda não conseguiam voltar para casa.

Algumas das escolas do município foram inundadas e uma das maiores empresas da cidade, a fábrica de biscoitos McVitie, foi obrigada a fechar as portas durante quatro meses, após ser atingida pelo equivalente a 38 milhões de litros de água, segundo estimativas.

Os habitantes da cidade temem que a fábrica feche as portas para sempre caso seja inundada outra vez. E o temor não é exagerado.

Cumbria Police/EFE
Inundação em Carlisle em dezembro de 2015; tempestade Desmond deixou 60 mil casas sem eletricidade na região

Ao longo da última década, a cidade precisou reconstruir algumas áreas mais de três vezes. Como boa parte dos imóveis e da infraestrutura data da Era Vitoriana, ou do início do século XX, elas se tornaram mais frágeis com o tempo.

Os cientistas estimam que o aquecimento global aumente em 40 por cento as chances de tempestades como a Desmond nessa região da Grã-Bretanha, embora as estimativas sejam incertas.

"O que aconteceu em Carlisle – séries de chuvas fortes e supertempestades – é exatamente o que devemos esperar do clima no futuro", afirmou Colin Thorne, cientista especializado em rios da Universidade de Nottingham. "Por isso, não devemos ficar surpresos caso isso aconteça".

"Encontrar uma forma de lidar com as tempestades e enchentes é uma tarefa que vai ocupar boa parte das cidades do planeta", afirmou.

Essa cidade de classe média é especialmente vulnerável porque sempre teve um clima bastante chuvoso, e também porque fica no encontro de três rios, com muitas casas construídas em planícies alagadiças.

Carlisle já tentou várias soluções. Depois das enchentes de 2005, o governo ampliou e estendeu as barreiras de contenção, plantando salgueiros em alguns pontos com o objetivo de desacelerar o fluxo da água e estabilizar as margens dos rios.


Mas agora, dezenas de habitantes, furiosos e desencorajados pelas circunstâncias, se uniram para tomar o controle das defesas contra enchentes das mãos do governo. Recentemente, propuseram que uma nova instituição independente formada por especialistas, cidadãos e autoridades do governo fizesse a gestão dos rios e da área da bacia hidrográfica.

Eles defendem que o rio seja drenado em alguns lugares e que pontes sejam construídas, buscando na Holanda ideias para resolver a situação.

INUNDAÇÕES AFETARAM MILHARES DE BRITÂNICOS EM DEZEMBRO DE 2015


Via UOL
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