quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Taís Araújo relembra preconceito na adolescência


“Eu gostava dos garotos, eles que não gostavam de mim”, afirmou a atriz sobre pretendentes

Tais Araújo comemora a boa fase profissional e pessoal. Protagonista da série Mister Brau e em cartaz com uma peça de teatro, ela é casada há cinco anos com o parceiro de cena, Lázaro Ramos, com quem tem dois filhos, João Vicente e Maria Antonia. Em entrevista ao Gshow , a atriz contou que nem tudo em sua vida foi conto de fadas, pois teve dificuldades com a vida amorosa na adolescência. Engajada, ela, que comemorou a prisão de seus agressores após sofrer injúria racial na internet, acredita que sofria preconceito também com seus pretendentes.

“Estudei a vida inteira em um lugar em que a maioria das pessoas era branca, mas a equipe da escola era muito hábil, trabalhou a minha autoestima. Só que eu era aquela que não namorava ninguém no colégio, nem no condomínio. Para dar meu primeiro beijo, tive que ir à Bahia. Eu até trabalhava como modelo, era considerada bonita, mas ninguém queria me namorar. Ou não tinha coragem. Sofria, né? Eu gostava dos garotos, eles que não gostavam de mim”, afirmou Taís.

Apesar da experiência negativa, a atriz garantiu não ser traumatizada e luta cada vez mais para inspirar outras mulheres negras ao empoderamento. “É bom você pegar essa bagagem para entender o País em que vive e de que forma vai lidar com essa situação. Não dá para ficar na ingenuidade, achando que esse tipo de coisa não existe”, opinou. “Nós, negros, passamos a vida ouvindo ‘sua cor não é legal’, ‘seu cabelo não é legal’, ‘seu nariz não é legal’… De repente, a gente conquistou um ‘gostar da gente’ que está ganhando força a cada dia. Não é à toa que vemos tantas blogueiras negras dando força para meninas fazerem transição capilar, falando que isso é importante, um resgate”, disse Taís, que ensina os filhos a valorizarem a autoestima.

“Quebrar o padrão é uma das coisas mais difíceis que tem. Minha mãe olha para mim e fala: ‘ai, esse cabelo bagunçado’. Sou a única que tem o cabelo crespo em casa. No que eu puder contribuir, eu faço. Fortalecer identidade é um prazer meu”, concluiu.


Por Caroline Moliari, do Terra
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