sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Surrealismo por René Magritte


As obras de René Magritte são a fusão consciente da realidade em ficção, extrapolando sem limites o mundo onírico. É o repudio ao tédio do convencionalismo, uma alternativa aos conceitos que estamos familiarizados. Indagando os limites da metafísica, da utopia, dos delírios de ótica e das ilusões psicológicas representadas de maneira fria e objetiva.


De todas as artes, sempre me identifiquei com o Surrealismo. Cheio de expressões irracionais, esse movimento cria sentimentos que me deixam confuso e ao mesmo tempo curioso. Carregado de non-sense, o Surrealismo surgiu em Paris no intervalo entre as Guerras Mundiais, criou força ao ser influenciado pelas teorias psicanalíticas do afamado psicólogo Sigmund Freud. As obras do movimento evidenciam a irracionalidade, os artistas procuravam fugir da razão e da lógica fazendo suas obras irem aos confins da consciência tradicional.

Os critérios para criação do Surrealismo são as colagens, criando uma combinação do metafórico, do intangível, do fantasioso e do inconsciente. A imagem surge não da comparação, mas da afinidade entre duas realidades paralelas, ultrapassando os limites da mente ciente e atingindo os devaneios.

"A mente ama o desconhecido. Ela adora imagens cujo significado é desconhecido." Essa frase de Magritte é simplesmente a melhor definição sobre o Surrealismo. René François Ghislain Magritte é um dos artistas mais importante e incrível desse movimento tão peculiar. Suas pinturas são conhecidas por serem perturbadoras, conceituais e que desafiavam os entendimentos dos observadores, pois são completamente desprovidas de sentido.

René Magritte sempre foi um inconformado e deixou isso explícito em suas obras, essas que em primeira vista parecem todas lúcidas, ocultam verdadeiros paradoxos. Suas artes carregadas de anomalias criam uma estranha assiduidade que instiga nossa compreensão oculta da esquisitice. Magritte criava seus quadros a partir de coisas simples, objetos do cotidiano como árvores, cadeiras, portas, pessoas, estantes, janelas, sapatos, mesas... Procurava se fazer compreender justamente pela representação das coisas simples.

Ao criar uma obra, Magritte tinha a preocupação em desafiar o observador a questionar os pontos de vista marcados pela rotina. Suas artes demonstram, intrinsecamente, que existe sim uma relação lógica entre o objeto central e o nome a ele dado, de fato que ele nunca representa o que o objeto é na realidade. O artista repete e combina signos em diversos quadros, como nos famosos homens de chapéu-coco, maçãs e cabeças de peixe. Signos óbvios acabam resultando numa realidade não-real, por estarem em contextos inusitados e confusos. Um objeto depende do outro dentro de uma obra, mas ao mesmo tempo, formam imagens irracionais.

As obras de René Magritte são a fusão consciente da realidade em ficção, extrapolando sem limites o mundo onírico. É o repudio ao tédio do convencionalismo, uma alternativa aos conceitos que estamos familiarizados. Indagando os limites da metafísica, da utopia, dos delírios de ótica e das ilusões psicológicas representadas de maneira fria e objetiva.










Por  Adriano Schone, via Obvio
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