terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mulher escrava - Pollyana Almië


"Vendida no mercado de escravos como carga de baixo preço

Durante séculos fui estuprada e massacrada

Fui tratada como bicho, como objeto sexual
Para satisfazer os desejos mais sórdidos dos ditos "senhores".
Tive o bico dos seios arrancados, os olhos furados
as costas chicoteadas, os cabelos alisados, 
a pele embranquecida, as tradições apagadas da memória.
Viva, viva!
A liberdade chegou,
linda ilusão que os brancos
Pregou!
Fui empurrada para os guetos e favelas,
Na podridão dos esgotos a céu aberto,
E muitas vezes arreganhei as pernas 
e tirei das entranhas o pão de cada dia
Quando não! 
Era dos lixos das madames que sobrevivia
De limpar pínicos dos barões de bosta
desta sociedade racista.
Negado o direito real de liberdade, de dignidade
E de sobrevivência
Fui atravessando os tempos resistindo
a todo tipo de atrocidades.
Busquei na memória ancestral
a negritude perdida, a cultura escondida
Pelos terroristas europeus.
Encrespei meus cabelos novamente e soltei!
Dancei aos som dos atabaques, chorei,
Saudei meus Orixás, Louvei!
E disse chega!
Chega!
Não alisarei mais meus cabelos crespos,
Quero sim cotas em tudo que tenho direito,
Vitimização não, isso é reparação!
Falarei dos tambores da mãe África
Louvarei meus Orixás, 
divindades ancestrais que deram origem ao meu povo negro.
Usarei turbantes na cabeça,
Como símbolo da minha realeza.
Não aceitarei "piadas" racistas
Não serei objeto para seus desejos machistas e fetichistas
Não sou uma pessoa exótica, seu hipócrita!
Pois tudo que sou
Faz parte da minha identidade.
Me uno aos meus irmãos,
para que minha voz presa a muito tempo
Ecoe em cada canto.
Ecoe bem alto
E que ensurdeça os preconceituosos,
Sufoque as palavras das bocas racistas
E cada dia nosso grito emudecido 
cresça, e seja mais alto
E que ela sempre exalte a nossa
NEGRITUDE!"

Pollyana Almië

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