sábado, 13 de agosto de 2016

Jornalista expõe atletas homossexuais no Rio usando Grindr

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Incentivar e ajudar a formação de um mundo mais livre e menos preconceituoso, em que os homossexuais possam se sentir seguros para saírem do armário e serem felizes como são é uma bela tarefa do jornalismo. Tirar pessoas do armário à força, expondo uma intimidade que é somente sua, não é nada além de mau jornalismo – um jornalismo oportunista, cruel, e principalmente perigoso. Foi o que fez o site americano The Daily Beast, com a matéria “Eu consegui três encontros no Grindr em uma hora na Vila Olímpica”.

Na matéria, o jornalista Nico Hayes revelou com detalhes o que aconteceu quando ele abriu o aplicativo de paquera Grindr na Vila Olímpica. Ainda que não tenha revelado nomes dos atletas, rapidamente o New York Times comentou a gravidade da decisão de Nico pela facilidade com que conseguiam supor quais eram os atletas mencionados na matéria. Alguns deles não vinham de países em que ser homossexual é visto com normalidade – em certos casos, os atletas vinham de países em que ser gay é crime.

Países em que ser gay é ilegal e ilegal com pena de morte

O nadador de Tonga Amini Fonua, que é abertamente gay, reprovou com veemência a matéria pelo Twitter: “Ainda é ilegal ser gay em Tonga, e embora eu seja forte o suficiente para me assumir, nem todo mundo é. Respeitem isso”, ele escreveu. “Imagine um espaço que você pode se sentir seguro, um espaço onde você pode ser você mesmo, arruinado por uma pessoa heterossexual que pensa que tudo isso é uma piada?”, concluiu. Se mesmo nos países que são “gay friendly” o homossexual corre riscos, imaginem em um lugar em que sua opção sexual é considerada crime.


Internautas “corrigiram” a matéria de Nico: ‘Eu pus em risco a vida de homens gays por esse artigo de merda’. No subtítulo: ‘Um atleta pousou com o uniforme canadense. Outros postaram sua colcha olímpica como foto de perfil. Eles estão prontos para terem sua privacidade e seu espaço seguro invadidos por esse idiota que não mediu as consequências’

A repercussão negativa foi tanta que primeiro o site tentou editar a matéria, e depois simplesmente a tirou do ar, desculpando-se pelo enfoque errado dado pelo texto e gesto do jornalista, que é heterossexual (como faz questão de frisar na matéria).



Edições realizadas pelo site, a fim de retirar informações que não deveriam estar lá desde o início

A intimidade de uma pessoa só vale ser quebrada se isso levar a informação verdadeiramente relevante para o interesse público geral, como em casos de crimes de violência ou corrupção. Faze-lo pelo mero deleite de expor alguém ou para conseguir uma coleção de clicks – e, ainda mais, traindo um acordo comunitário sobre a necessidade de um anonimato que só quem de fato é perseguido pode compreender a gravidade de trai-lo – fomenta o pequeno jornalismo de fofoca e, como no caso, pode ainda colocar em risco a vida de pessoas que justamente já se arriscam diariamente pelo simples desejo de serem felizes como são.


© fotos: reprodução


Via Hypeness
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