quinta-feira, 7 de julho de 2016

No ‘TV Mulher’, Glória Maria desabafa sobre preconceito racial: “As pessoas não estão acostumadas a ver negros em restaurantes chiques e lugares bacanas”


A jornalista, que se dedica à reportagens culturais no Globo Repórter, contou que sente a necessidade de provar sua capacidade profissional a todo instante. “Preciso provar que sou uma jornalista de talento, porque do contrário você é sufocado de uma maneira que não imagina”

Glória Maria foi uma das convidadas de Marília Gabriela para falar sobre preconceito racial no programa “TV Mulher”, exibido todas as terças-feiras, pelo canal Viva. Durante o papo, a jornalista, que se dedica à matérias multiculturais ao redor do mundo no Globo Repórter, revelou que o Brasil é o lugar onde ela se sente mais desconfortável quando o assunto é racismo. “Tem às vezes uma olhada, porque as pessoas não estão acostumadas a ver negros de maneira geral em lugares que geralmente são destinados aos brancos, em restaurantes chiques, lugares bacanas e tal. Mas aqui no Brasil há em qualquer nível”, desabafou ela, que, apesar dos 45 anos de Rede Globo, sente a necessidade de provar sua capacidade profissional a todo instante. “Preciso provar que sou uma jornalista de talento, porque do contrário você é sufocado de uma maneira que não imagina”, apontou.

Por ser uma das primeiras repórteres negras da televisão brasileira, Glória garantiu que já sofreu todo tipo de descriminação, mas, apesar de se sentir incomodada, disse que desistiu de lutar contra o preconceito. “Sim, é uma coisa que não termina, só que tem diversas faces. Hoje, a coisa é bem mais sutil. É mais elaborada, porque eu também sou uma pessoa mais elaborada. Então, o preconceito é muito mais grave, porque atinge pontos que antes não atingia. Quando você é jovem e sofre isso, você sofre de coração aberto e acha que vai superar. Quando você chega à idade que estou, no momento que vivo, aí você tem certeza absoluta de que é uma coisa que não se supera e não se acostuma. Passei minha vida tentando uma defesa, e depois percebi que era inútil”, disse Glória.


Por Leonardo Rocha Do Heloisa Tolipan
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