quinta-feira, 2 de junho de 2016

O que fazer pela equidade racial hoje? – artigo I


Seria pretensão de minha parte ter a resposta inteira para a pergunta-título e sempre procurei desenvolver as ideias e projetos com os quais me envolvi ao longo da vida operando em parcerias. Sou avesso a voos solos e deve ter sido por isso que acabei não tirando o meu brevê de piloto privado na minha juventude.

Agenda Liberal

O presente texto foi inspirado em um diálogo com um ativista – intelectual e educador exemplar – ao qual a luta antirracista do Brasil muito deve. Essa pessoa amiga me instou a pensar/propor caminhos estratégicos para um momento em que há riscos graves em jogo. Tudo o que essa pessoa expôs para mim, começa a se delinear com a clareza do sol. No dia 2 deste mês, os jornais noticiavam: “MBL, ruralistas e evangélicos se unem por Estado mínimo, reforma trabalhista e ajuste fiscal” (Folha de S. Paulo). Apelidam essa estratégia de “agenda liberal”; o que vem a ser um eufemismo absurdo. Estado mínimo para fortalecer a Saúde e Educação? Não; pelo contrário. Reforma trabalhista para pensar numa política de efetiva valorização dos talentos femininos e negros? Também não. A ideia é precarizar e reduzir direitos conquistados duramente. É desnecessário detalhar qual grupamento perderá mais com essa “agenda liberal”… Dois aspectos iniciais devem ser considerados: 1) a população negra, em sua larga maioria, sempre viveu aqui em algum tipo grave de crise, tanto do ponto de vista socioeconômico, como psicológico e moral; e 2) a Terceira lei de Newton – a da reação – que pode e deve ser transmutada da física para a vida social. É precisamente sobre o tópico 2 que pretendo me aprofundar aqui.

Ação & Reação

Quando evangélicos, ruralistas e movimentos conservadores se articularam pela maioridade penal muitos de nós duvidaram, mas eles acabaram ganhando aquela batalha. Agora eles anunciam publicamente o que pretendem com essa agenda tenebrosa – o que autoriza aos mais céticos se moverem. Como reação: o que os prejudicados por essas eventuais medidas devem fazer?

Antes de responder é importante ponderar: o eleitor negro é o único do mundo que elege e empodera os seus inimigos – aqueles que destroem seguidamente sua potencialidade.


Por Helio Santos, do Brasil de Carne e Osso
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