segunda-feira, 13 de junho de 2016

Aninha Franco em Trilhas: os machos brancos e a fêmea branca


A História explicará este momento brasileiro. Explicará a denúncia de um “golpe” com acompanhamento do STF, denunciado pela presidenta “golpeada” fazendo compras nas ruas de Nova York. Explicará o ódio dos que se dizem à esquerda pelos “machos brancos” que estão tentando reparar a economia destruída pela “fêmea branca”. A gestão da “fêmea branca” levou a ECT que, um dia, foi uma estatal exemplar, a não ter dinheiro em caixa para pagar os salários dos seus funcionários neste mês de junho. Os que se dizem à esquerda e vociferam contra os machos brancos estão pouco ligando pra isso. E ignoram que a ECT só tem em caixa milhares de encomendas entregues em prazos analógicos. Não lhes incomoda os desempregados, as estatais quebradas, a ECT, a Petrobras, a Eletrobrás, o PIB miserável, a violência e a ruína do país. Largam seus chavões primários de “primeiramente fora Temer” e, em seguida, do patético “volta Dilma” sem responsabilidades.

Para que querem Dilma Rousseff de volta? Para saudar a mandioca? Para anunciar a mulher sapiens? Para se sentirem “roraimadas”? Elas podem se deliciar com tudo isso na web ou no YouTube e respeitar a maioria da população que gosta do impeachment e não quer Dilma de volta. É lógico que a população ainda não gosta de Michel Temer porque Temer chegou agora, depois do delírio gestor da fêmea branca, mas se a economia dos machos vingar – e tudo indica que vingará – os brasileiros amarão Temer e os machos brancos. E desejarão mais impeachment para afastar os que passam quatro, oito anos destruindo a sobrevivência, o patrimônio e o lazer deles, pouco se importando com sua segurança, saúde ou educação. Sobretudo quando desconfiam que a impedida foi um poste escolhido pelo macho mestiço do PT para esquentamento de uma cadeira que lhe era impossível. Se tudo deu errado, azar do macho mestiço que ama a cadeira que o impeachment lhe tirou. Temer é o substituto legal que declarou, ontem, que “governo não é uma ação entre amigos”, evocando um MDB sem P e sem Sarney que fez oposição à ditadura, lembrando Ulisses Guimarães perseguido pela Polícia Federal encarregada de acossar pessoas que pensavam porque “ (...) o prato mais caro do melhor banquete é o que se come cabeça de gente que pensa (...)”, (Raul Seixas).

Que momento aquele e que momento este! As cabeças de “gente que pensa”, hoje, são ameaçadas por políticas menos perigosas e mais mesquinhas. Mas é possível assistir ao auditor Antônio Carlos Costa d’Ávila Carvalho, do TCU, na Comissão do Impeachment do Senado, dizer calmo, tranquilo, “que as pedaladas fiscais e a tomada de crédito nos bancos públicos sem cobertura justificam o afastamento de Dilma, e são as principais causas da pior crise econômica da História do Brasil”. Isso é história. Escutá-lo falar da inflação de 80% ao mês que nós dois vivemos e que o real e a Lei de Responsabilidade Fiscal acabaram me levou a pensar que depois da web, a História nunca mais será escrita pela arrogância dos vencedores ou pelo ressentimento dos perdedores. Será escrita pelos que têm argumentos.

* Aninha Franco é escritora


Via Correio 24 Horas
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