sexta-feira, 27 de maio de 2016

Lama da Samarco destruiu 237 campos de futebol de Mata Atlântica em MG


A lama despejada na região de Mariana (MG) após o rompimento da barragem da Samarco desmatou 169 hectares de Mata Atlântica, área equivalente a 237 campos de futebol, segundo levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Fundação SOS Mata Atlântica. O desastre foi responsável pela maior parte da perda de cobertura vegetal na área entre 2014 e 2015. 

Minas Gerais foi o Estado que mais desmatou vegetação da Mata Atlântica nos últimos dois anos, segundo o "Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica) divulgado nesta quarta-feira (25). Entre 2014 e 2015, foram destruídos 7.702 hectares de vegetação em Minas, um aumento de 37% em relação ao período anterior, entre 2013 e 2014. A principal causa, segundo o estudo, seria a atividade de mineração.

Somente na região de Mariana (MG), onde a atividade extrativa mineral é largamente explorada, 258 hectares foram desmatados. Desse total, o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, responde por 65%. Fundão é considerado o maior desastre ambiental na história do país.

As informações sobre a destruição de Mata Atlântica na região, além de um diagnóstico das condições da bacia do rio Doce, foram entregues há duas semanas ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, durante visita dele a Mariana. 

Por meio de nota, a Samarco informou que "não teve acesso ao estudo". No entanto, a empresa diz que o Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta assinado também pelo governo federal, e pelos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, definiu que será recuperada uma área de 42 mil hectares na bacia do rio Doce. 
Desmate equivalente a 12 São Paulos em 30 anos

Nos últimos 30 anos, a Mata Atlântica teve 1,887 milhão de hectares desmatados, o equivalente a 12,4 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Apesar de a maior parte (78%) dessa perda de vegetação ter ocorrido entre 1985 e o ano 2000 e de as taxas estarem em queda desde 2005, a supressão de floresta continua ocorrendo no bioma mais devastado do país.


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