quarta-feira, 18 de maio de 2016

Combate a Intolerância Religiosa

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A cada 3 dias, governo recebe uma denúncia de intolerância religiosa



A cada três dias, em média, uma denúncia de intolerância religiosa chega à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Entre 2011 e 2014, 504 queixas desse tipo foram relatadas à pasta pelo Disque 100 –canal de denúncias para violações dos direitos humanos, que são repassadas à polícia e ao Ministério Público.

O governo federal reconhece que a intolerância religiosa, na prática, tende a ser maior do que aquela denunciada –e que cenas como a da menina de 11 anos agredida na semana passada com uma pedrada na cabeça ao sair de um terreiro de candomblé na Vila da Penha, zona norte do Rio, estão longe de ser casos isolados.

Em 2013, 45 episódios relatados de intolerância religiosa envolveram violência física (20% dos casos do ano). Até julho de 2014, outros 18 haviam sido registrados (12%).

Fiéis de religiões de matriz africana (candomblé e umbanda) são os alvos mais comuns dos relatos de intolerância recebidos pelo serviço –um terço dos episódios em que há esse detalhamento.

A garota atingida com uma pedra no Rio foi atacada por dois homens que gritavam "Sai demônio, vão queimar no inferno, macumbeiros".

Segundo a avó da menina, os autores da agressão (não identificados) eram evangélicos. E são justamente os evangélicos que aparecem em segundo lugar entre as vítimas de intolerância –mais de um quarto dos casos detalhados.

Editoria de Arte/Folhapress

A lista de atingidos não poupa nenhum tipo de fé. Embora em menor número, espíritas, católicos, judeus, muçulmanos e até rastafáris constam dos dados da secretaria, obtidos pela Folha. Nos últimos quatro anos, nem os ateus ficaram de fora.

"Queremos entender melhor o fenômeno, mas é preciso ter cuidado para que não se gere mais intolerância", diz o ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da gestão Dilma (PT), Pepe Vargas.

Atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas podem render pena de um a três anos de prisão –que pode ser agravada se o alvo for uma criança ou um adolescente.
Entre esses casos, que não se restringem à violência física, alguns tiveram maior repercussão –como o chute que Sérgio Von Helder, então bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, deu em uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1995, no dia dedicado à padroeira do Brasil.

AUTORITARISMO

O governo instituiu em 2014 o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa. Até o começo do próximo ano, um relatório sobre essa situação deverá ser apresentado.

Segundo a diretora da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, Irina Bacci, o fenômeno não é novo, mas passa por uma exacerbação.

"Não dá para desvincular as intolerâncias de todos os tipos com a intolerância religiosa", diz. "Talvez, por um discurso autoritário de determinados grupos da sociedade brasileira, outros grupos sofram cada vez mais com maior requinte de crueldade."

Irina afirma haver relatos de evangélicos que se dizem vítimas de intolerância de pastores de outras igrejas.

Para a secretária-geral do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), a pastora luterana Romi Márcia Bencke, apesar de estarem entre os atingidos, os evangélicos não são o principal alvo das agressões.

"As perseguições que relatam são referentes ao uso dos símbolos do cristianismo, como a transexual crucificada na Parada LGBT."

Segundo o diretor da Apameb (Associação dos Pastores e Ministros Evangélicos do Brasil), pastor Carlos de Oliveira, da Assembleia de Deus, há exageros da mídia, mas também dos evangélicos.

"Quem vê o alarde que a mídia faz e for a um culto dessas igrejas verá que não há intolerância. Nunca assisti um pastor dizer, por exemplo, que um pai de santo deve morrer." 

EMILIO SANT'ANNA - FOLHA DE SÃO PAULO
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