segunda-feira, 25 de abril de 2016

Zero a zero: 15 poemas contra o genocídio da população negra


Trata-se de um livro de poemas que se dispõe a ser arma e escudo na luta da população negra pela sua sobrevivência, contra o seu genocídio e a favor da esperança. É também um livro que destaca o sofrimento de nós que permanecemos, apesar das cabulas, candelárias e outras tantas chacinas (como a de Osasco/Guarulhos) incapazes de comover aos tantos cidadãos e cidadãs “de bem” deste nosso país.

Mas a obra chama a atenção também para o revolucionário gesto feminino de parir em um país com amplo histórico de tentativas de eliminação do nosso povo (desde a esterilização de mulheres até os assassinatos e o nosso superencarceramento). Nós que séculos antes abortávamos, praticávamos infanticídio para não gerarmos lucro ao sinhozim, agora pensamos mil vezes e oscilamos entre direito ao aborto e ao parir – ambos a contragosto dos patrões e do patriarcado -, rindo do paradoxo das “minorias”, em meio a um projeto de país que se queria todo branco até o ano limite de 2012.

E, se não somos minorias, é exatamente porque “nas barrigas das meninas/ inda o sol ainda/ brilha – rancoroso carnaval”, é porque seguimos repondo os ricardos, os rivaldos, os soldados… a ira e a lira…

Pois que Zero a zero é, assim, uma obra que se propõe a ser pedagógica e, nesse sentido, recupera a função comunitária que a arte teve e ainda tem em sociedades não capitalistas. Além disso, sua própria aparência (fino, frágil, de capa com pouca gramatura) de pronto nos sugere estarmos diante de um panfleto. E sim, é um livro para ser panfletado. Para circular, para ser baixado e lido.

Por fim, vale dizer que os poemas nos revelam também homenagens a nossos mortos, na medida em que toda semelhança com a realidade não é pura ficção: os nomes citados na obra existiram, existem nas nossas memórias. Eram amigos, parentes, vizinhos. Assim, além de cuidar da memória dos nossos, Zero a zero, com sua dureza macia, ilumina nossas ideias e direciona nossas lutas.


Por Dinha Enviado para o Portal Geledés
Postar um comentário

AS MAIS ACESSADAS

Da onde estão acessando a Maria Preta