quinta-feira, 3 de março de 2016

Viva o circo, viva Tihany!

'Peça única, não vai existir outro', diz discípulo de Tihany sobre morte
Romano Garcia lamentou a morte do artista, aos 99 anos, nesta quarta. Ilusionista ressaltou que o húngaro mudou a história do circo mundial.

Romano Garcia em apresentação no Crico Tihany (Foto: Divulgação)

O trailer do ilusionista Romano Garcia tinha clima de tristeza na tarde desta quarta-feira (2), dia em que seu mestre, Franz Czeisler, o Tihany, morreu, aos 99 anos. Garcia recebera a notícia ali, no estacionamento do circo criado pelo "paizão", durante turnê em Maringá, no norte do Paraná.

Enquanto artistas ensaiavam o espetáculo da noite, Garcia contava sobre as façanhas de quem o criou para o mundo artístico. "O Tihany me viu nascer, praticamente. Ele foi um paizão para mim e para todo mundo que trabalhou com ele. Era muito artístico, muito carismático. Caía bem para todas as pessoas. Eu e minha família estamos muito sentidos. Tihany era uma peça única, não vai existir outro", afirma o aprendiz.

Tihany morreu em Las Vegas (Foto: Divulgação
/Ateliê da Notícia)

Czeisler, nascido na cidade húngara de Tihany (de onde surgiu o nome artístico), chegou ao Brasil em 1952, depois de fugir da guerra e da perseguição por nazistas. Foi a família do aprendiz que o acolheu, no interior de São Paulo, com um emprego no Circo Garcia, um dos mais renomados do país à época.

"Ele tinha aquela mentalidade europeia de espetáculo, né? O Tihany rapidamente se destacou. Ele 'roubava' o público: chamava as pessoas e tirava objetos delas, sem que percebessem. Sumiram relógios, carteiras, lenços, chapéus, documentos. Praticamente limpava as pessoas, que adoravam", diz Garcia, reforçando que tudo era devolvido depois.

O ilusionista brasileiro afirma que Tihany mudou a história do circo. "Ele mudou o conceito de se circo. Antigamente, o circo era de teatro ou, com o pós-guerra, de animais. E o Tihany era o único que tinha os dois e mais um pouco. Ele tirou o picadeiro e colocou um palco. Criou o music hall, que não existia aqui. É o que mantém o circo até hoje: a magia, grandes ilusões e o music hall. Você vai ver show parecido assim só em Las Vegas", garante o mágico.

Garcia destaque que os maiores nomes do ilusionismo mundialmente, hoje, têm o húngaro como referência. Ele [Tihany] foi top em magia. David Copperfield, Siegfried e Roy: eram todos amigos dele, porque o admiravam. Tanto é que, quando o circo entrou nos Estados Unidos, a recepção toda foi feita pelo próprio Copperfield. O Tihany é referência para todos os mágicos, em todos os lugares".

Tihany era um apaixonado pelo Brasil e tinha o sonho de morrer e ser enterrado aqui, conta Garcia. Problemas graves de saúde, no entanto, o fizeram ficar em Las Vegas (EUA), onde morreu nesta quarta-feira.

"O sonho dele era morrer e ser enterrado aqui no Brasil, ao lado da mãe dele, que está em um cemitério israelita ali perto de Cotia, em São Paulo. O que impediu foi a idade. Ele não tinha mais condições de viajar e decidiu ficar em Las Vegas, porque lá estão todos os contatos importantes desse mundo de magia", ressalta o artista brasileiro.

Garcia diz que levará o nome de Tihany por quantos lugares for possível. "A vontade dele é que isso [o circo] não feche nunca. Vou trabalhar para sempre, em todos os lugares possíveis, para manter o nome dele, seu estilo e suas inovações. Em sentimento, ele estará sempre nesta caminhada com a gente. Pode ter certeza".


Do G1 PR
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