quinta-feira, 10 de março de 2016

Professor é preso por ofensas racistas a um estudante em sala de aula na Praia Grande


Um professor foi preso por injúria racial após supostas ofensas a um estudante dentro de uma escola municipal de Praia Grande, no litoral de São Paulo, na tarde desta terça-feira (8). De acordo com familiares do aluno, a situação se repetia com frequência há semanas.

O caso ocorreu na Escola Municipal Isabel Figueroa Bréfere, no bairro Aviação. A criança de 12 anos, que inicialmente não queria contar aos pais o que acontecia, foi orientada a gravar com o celular quando fosse ofendida novamente pelo professor. Após conseguir o registro, o menino entrou em contato com a família, que acionou a Polícia Militar.

“O professor fazia piada: ‘olha os dentes dele, parece a Torre Eiffel’. Ele humilhava mesmo, dizia que era preto, que tinha que acender a luz para enxergar. Dizia que, para beijar uma menina mais alta, teria que subir na escada, porque era anão”, relata Paulo Sérgio Vieira dos Santos, pai do estudante.

A mãe do jovem, Renata Brindo dos Santos, lembra que antes do filho revelar o que estava sofrendo, reparou mudanças no seu comportamento. “Ele estava agressivo, irritado. Concluí que algo de muito grave estava acontecendo”, conta.

O garoto, então, decidiu explicar aos pais a situação e disse que as ofensas vinham se agravando durante as últimas semanas, e que gostaria de evitar as aulas de Língua Portuguesa, lecionadas pelo docente.

“Eu fiquei louco, transtornado, indignado. Você manda seu filho para a escola, para estudar e aprender, e o professor faz isso com o próprio aluno. E agora ele não quer mais voltar. Fazer isso com meu filho é como enfiar uma faca no meu peito. Não há perdão que anule o que foi feito”, desabafa Paulo Sérgio.

O professor e o aluno foram encaminhados à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município, que também investiga casos onde crianças e adolescentes são vítimas.

Ofensas ‘comuns’ ao professor
Uma jovem de 12 anos, colega de sala da vítima, também foi à delegacia prestar depoimento contra o docente. Ela relatou que piadas às custas da aparência de estudantes são comuns durante as aulas do professor. “Têm alunos que ele não gosta, e o meu amigo é um deles. As piadas começaram por ele ser baixinho, e agora foram pela cor dele”, diz.

O professor foi autuado em flagrante pelo crime de injúria racial. De acordo com a delegada titular da DDM, Maria Aparecida dos Santos, o crime se diferencia do racismo, pois é direcionado a uma pessoa específica. Ele pagou a fiança estipulada pelas autoridades e responderá ao processo penal em liberdade. “O crime de injúria qualificada decorrente de racismo tem pena de um a três anos de reclusão”, explica a delegada.

Wilson Barbosa, advogado do professor, afirma que não entende o ocorrido com uma injúria. Segundo ele, o próximo passo é o recolhimento de provas para refutar a acusação.

Por meio de nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que a Secretaria de Educação já estava ciente do ocorrido. De acordo com a administração municipal, o caso será encaminhado para a Comissão de Ética, que irá averiguar os fatos e avaliar a conduta do servidor. Caso a ocorrência seja comprovada, o professor responderá por processo disciplinar.


no G1
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