terça-feira, 29 de março de 2016

Motéis trocam espelho no teto por design de luxo para ampliar clientela

O Lush Motel, no bairro do Cambuci, São Paulo, tem como proposta ser um "motel design"

Empreendedores do setor de motéis investem em reformas arquitetônicas, novas estratégias de marketing e serviços mais sofisticados para ampliar seu público e atrair quem só costuma se hospedar em hotéis, além de casais.

Há 26 anos no mercado, o Lush adotou o conceito de "motel design", a exemplo dos hotéis boutiques. A nova decoração tira o foco do erotismo e prioriza conforto e aparatos tecnológicos.

Nos quartos, o hóspede pode encontrar adega climatizada de vinhos e controle remoto com tela touch screen que controla o som, a iluminação e a temperatura. Além de um bilhete da camareira dando boas-vindas.

Há ainda suíte com cinema privativo 4D e poltronas que emulam os movimentos dos filmes na televisão.

"O setor acompanha a tendência de sofisticação no consumo dos últimos cinco anos. Hoje, o cliente quer serviço diferenciado, boa culinária, opções de vinhos e cervejas importadas também no motel", afirma Felipe Martinez, sócio do Lush Motel.

Ele não revela o custo da reforma, mas diz que teve aumento de 50% no faturamento desde a mudança nas estruturas e nos serviços.

As suítes no local variam de R$ 185 a R$ 480 por período de três horas.

O público-alvo ainda são casais em busca de intimidade, que pagam por hora ou período, mas houve ampliação da oferta com a possibilidade de reservas de diárias.

"Criamos um departamento de reservas que destina 30% dos quartos para essa finalidade e já estudamos aumentar essa parcela", afirma Martinez.

EM ALTA

Para Eusébio Ribeirinha, presidente da Abmotéis (Associação Brasileira de Motéis), as empresas que adotam reservas e serviços semelhantes ao de hotelaria estão conseguindo contornar a crise.

O faturamento médio do mercado de motéis paulista caiu 10% em 2015, segundo a entidade.

Na média nacional, a receita de um estabelecimento chega a crescer 130% no primeiro ano após o processo de renovação, segundo a consultoria Zeax, especializada nesse setor.

"Dependendo do contexto de mercado, é possível quintuplicar os ganhos com o aumento de público", diz Vinícius Roveda, diretor da consultoria.

Os motéis que passaram por repaginação hoje são 30% do mercado brasileiro, afirma Roveda. Em 2011, eram cerca de 10%.

"Isso está acontecendo em vários Estados. Os empresários gastam até R$ 2,5 milhões com reformas e capacitação de equipe."

Para Ribeirinha, as novas estratégias de marketing e a mudança do perfil "espelho no teto e cama redonda" permitiu aos estabelecimentos conquistar clientes entre os turistas e os executivos de passagem pela cidade.

Essa clientela é justamente a que tem beneficiado o Motel Lumini. Próximo ao centro de exposições do Anhembi e da Marginal Tietê, no bairro do Limão, ele atrai quem está em São Paulo a trabalho ou para conferências
e feiras.

"A decoração é 'clean' e agradável justamente para desfazer o mito de que motel é apenas para encontros íntimos", diz o proprietário, Sérgio Lino.

O pernoite no estabelecimento custa de R$ 139 até R$ 495, dependendo do quarto.

Outra estratégia que tem se mostrado bem sucedida é anunciar reservas por sites de hotelaria, como Booking, Decolar e Trivago, assim como permitir o pagamento pela internet antes da hospedagem.

"Tem que estar atento ao que o cliente quer para evitar fugas na crise", afirma Lino.

ATENDIMENTO DE LUXO E GASTRONOMIA

O Apple Motel, localizado na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, contratou funcionários com experiência no ramo hoteleiro, caso do gerente-geral e da governanta, para melhorar o serviço.

"Exceto pela garagem privativa e o aluguel por período, somos como qualquer outro hotel de luxo", afirma Flávio Rafael Monteiro, sócio do estabelecimento.

Escada de acesso ao segundo andar de suíte duplex do Apple Motel

"E ainda temos a vantagem de ter um chef de culinária francesa para desfazer o preconceito existente de que não se come bem em motel", diz.

Gastronomia de alto padrão se tornou um diferencial entre os motéis com nova cara.

No Lumini Motel, por exemplo, a criação do cardápio contou com assessoria da chef Ana Soares, que assina menus de restaurantes renomados de São Paulo, como Pirajá e Adega Santiago.

"Comida de motel não precisa e nem deve ser só sanduíche e estrogonofe", afirma o presidente da Abmotéis, Eusébio Ribeirinha.

Para reforçar essa tendência, a entidade realizará o evento Chefs no Motel, a partir do dia 11 de abril.

Ao estilo do Restaurante Week, nove estabelecimentos de São Paulo terão cardápios criados por chefs famosos.

Os pratos do Lush Motel serão assinados por Izabel Tavares, vencedora da mais recente edição do programa MasterChef, da Band.

No motel, uma consultoria focada em gestão de atendimento foi contratada para capacitar a equipe de atendimento e padronizar o processo de recepção.

UM NOVO PADRÃO
Quais as novidades na hospedagem

Decoração "clean": Nada de espelho no teto ou carpete vermelho, os novos motéis têm quartos com decoração moderna e móveis de design sem apelar para o erotismo

Tecnologias: Apenas wi-fi não é o suficiente. Além de televisão de alta definição, há motéis que ofertam adega climatizada e tablets para controle do ambiente

Reservas online: Estar presente nos sites de reserva e permitir o pagamento antes da hospedagem tem sido uma estratégia para conquistar um novo perfil de clientes

Gastronomia: Cozinha 24 horas com opções sofisticadas é uma tendência. Há quem também oferte ampla variedade de cervejas e vinhos importados


Via Folha
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