quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Papa Francisco pede perdão aos indígenas pelo abuso contra suas terras e sua cultura


Em Chiapas, Francisco fez um duro pronunciamento contra “a dor, o abuso e a desigualdade”

O que o governo mexicano mais temia aconteceu: o papa Francisco, cuja liderança mundial transcende o religioso, chegou na segunda-feira à floresta de Chiapas e fez um duro pronunciamento contra “a dor, o abuso e a desigualdade” sofridos pelos povos indígenas que no México somam 11 milhões de pessoas de um total de 50 milhões em toda a América Latina -no Brasil, são quase um milhão. Jorge Mario Bergoglio pediu perdão aos indígenas e encorajou os governantes a fazê-lo também por os terem “excluído, menosprezado e expulsado de suas terras”.

A viagem do papa Francisco pelos novos e velhos problemas do México sobe alguns decibéis a cada dia. E sua presença no Estado de Chiapas, onde um terço dos quatro milhões de habitantes sofre de pobreza extrema e altas taxas de analfabetismo, coloca o Governo diante de uma das grandes pendências do país: a praticamente inexistente integração dos índios na vida cultural, social e política do país. Além disso, Bergoglio o fez sem meias palavras, incluindo também oVaticano e a hierarquia mexicana da Igreja Católica entre aqueles que se equivocaram em sua relação com Chiapas e seus habitantes. A visita ao túmulo do bispo indigenista Samuel Ruiz (1924-2011), próximo da teologia da libertação e que foi perseguido pelo Governo e o Vaticano, tornou-se o maior símbolo da mudança de posição. O outro gesto foi autorizar novamente a ordenação de diáconos permanentes indígenas e a utilização de suas línguas na liturgia, algo que já fazia o bispo Ruiz, razão pela qual recebeu fortes críticas da Igreja oficial.


Por PABLO ORDAZ, do El Pais
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