quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Você sabe o que é macumba?



Macumba é uma espécie de árvore africana e também um antigo instrumento musical de percussão, uma espécie de reco-reco que dá um som de rapa (rascante), de origem africana, ele utilizado em cerimônias de religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, utilizado pelos negros no final do século XIX e os tocadores desse quase que desconhecido instrumento eram conhecidos como Macumbeiros e por essa associação o termo, porém, acabou se tornando uma forma pejorativa de se referir a essas religiões e, sobretudo, as oferendas ou despachos feitos por alguns seguidores que tem por base os costumes e hábitos inspirados na cultura africana.


No sentido expresso acima, a palavra macumba teve origem de uma árvore onde os escravos faziam reuniões para homenagear seus orixás e matar saudades de sua terra natal. Outro significado quando usamos a palavra Macumba é o de associa-la a uma árvore sagrada existente na África, que os africanos quando eram aprisionados para serem traficados como escravos, davam voltas em torno desta árvore para despedir-se da sua vida na África.

A árvore é da mesma família do famoso Jequitibá, de maneira nobre e resistente, se destaca pela sonoridade, por isso um dos motivos dela ter sido a “escolhida” para ser a matéria prima de mais um instrumento de percussão da rica cultura africana. Na África existem rituais festivos em que são utilizados dessa madeira para fazer os instrumentos com a entonação de som, medida pelo tamanho do corte da madeira.

A temática do nome e da confusão de preconceitos já ganhou espaço nos palcos e nas artes. A intérprete Milena Torres iniciou em 2003 um projeto chamado “Árvore Musical Macumba”, com 17 músicas e a estética de valorização e conhecimento da cultura africana. O interessante no projeto da cantora é que suas músicas mostram a transformação e ramificação da música e da cultura africana, como galhos de uma mesma árvore.

Podemos dizer efetivamente que na árvore genealógica das religiões africanas, macumba é uma forma variante do candomblé que existe só no Rio de Janeiro.

O preconceito em relação as religiões de matriz africana caminha junto com a formação da sociedade brasileira, desde o tempo do descobrimento, quando os brancos dominantes resolveram entrar de cabeça no trafico negreiro, como a grande fonte de lucro das grandes nações européias no século XV até meados do século XIX (trafico esse que era encarado como política de estado), eles trouxeram os negros, usurpados de sua terra, o continente africano, a Mãe África para aqui, no desconhecido Continente Americano se tornassem mercadoria recorrente, barata, de duro trabalho e escrava. Ou seja, tudo aquilo que veio junto com os negros deveria ser desprezado para a dominação ser efetiva e completa, mas ao longo dos 388 anos da escravidão, e os 125 anos de racismo e preconceito mascarados, a cultura negra sobreviveu, e se mostrou importante para entendermos o que é o Brasil e logo a Religião ou Religiosidade Africana ou Afro-Brasileira, como queiram, é parte integrante e pulsante do universo religioso do nosso país e de muitos outros da América do Norte passando pela Central e chegando a do Sul, apesar das investidas injustas de demonizar ou desvaloriza-la.

È nesse contexto, de séculos, que foi intensificado na primeira metade do século 20, pois agora era preciso aprender a aceitar as diferenças, mesmo que a contra gosto, inclusive as religiosas, que algumas atitudes de uma parcela da sociedade como a de igrejas neo-pentecostais e alguns outros grupos cristãos que, perpetuam até hoje em pleno século XXI, considerando profana a prática dessas religiões. Com o tempo, quaisquer manifestações dessas religiosidades de matriz africana passaram a ser tratadas como "macumba".

O conceito de macumba está tão arraigado na cultura popular brasileira, que são comuns expressões preconceituosas como "xô macumba!" (Umbanda) e "chuta que é macumba!" para demonstrar desagrado com a má sorte. Macumba, na acepção popular do vocábulo, é mais ligada ao emprego do ebó, feitiço, "despacho", coisa-feita, mironga, mandinga, muamba, e por aí vai.

Macumba também pode ser a designação genérica dos cultos sincréticos afro-brasileiros derivados de práticas religiosas e divindades de povos bantos, influenciadas pelo candomblé e com elementos ameríndios, africanos, do catolicismo, do espiritismo, do ocultismo, etc.

No Rio de Janeiro, as nações do candomblé se fundiram umas nas outras, deixando-se também penetrar profundamente por influências exteriores, ameríndias, católicas, espíritas, dando nascimento a uma religião essencialmente sincrética, e característica das terras fluminenses, a Macumba.

Ainda quando falamos dos negros que chegaram ao Brasil, e tiveram que adaptar seus costumes eles adotaram o Jequitibá que é uma arvore bem parecida com a macumba e nesta arvore eles colocavam as imagens dos santos católicos já eles não podiam frequentar as igrejas católicas de seus senhores, então quando a noite chegava,e acabavam os serviços na lavoura eles passavam nas senzalas chamando os irmãos para “relembrar a velha África”, a noite se tornaria mágica, hoje teria um culto lá na macumba que para eles eram apenas uma igreja, e os santos católicos como São Jorge, São Jerônimo, São Sebastião eram adotados com nomes que eles conheciam. É assim, que o sincretismo brasileiro, e o sincrético universo que nos envolve foi se formando e se tornando o DNA de nossa cultura, do nosso mundo.

Então essa noite como os negros, a séculos atrás, vamos celebrar nossas origens, e tentar esquecer um pouco dos problemas. Viva a Macumba!


Fonte: www.afroxe.com.br
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