domingo, 11 de maio de 2014

Pensar o Novo!

*Artigo publicado no Jornal A Tarde em 08/05/2014
 Por que a Copa do mundo não contribui com a imagem positiva do País nem aqui dentro, nem lá fora?
Normalmente, eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, se bem conduzidos, elevam a autoestima da população, servem como poderosa ferramenta de marketing para que os países sede possam difundir suas culturas, atrair investimentos, e fortalecer seus negócios; contribuir para o seu desenvolvimento e riqueza, enfim, além de gerar dividendos políticos para seus governantes. 

No entanto, o clima anti-copa que toma conta de todo o Brasil, aliado à violência desenfreada, está chegando a um ponto que dificilmente será revertido nos próximos meses, podendo inclusive, se agravar ainda mais com medidas e ações equivocadas do tipo: "a copa das copas" ou "exército nas ruas para garantir segurança", etc. etc.... 


O ufanismo fora de contexto, aliado à ideia de repressão, com certeza irão gerar prejuízos de toda ordem para o Estado brasileiro, para seus principais gestores, e para estados e cidades sede da Copa 2014.

Neste momento, o que percebemos é uma tremenda dificuldade para falar a língua da imensa maioria da população brasileira, formada majoritariamente por afrodescendentes e, principalmente com os jovens da periferia que se perguntam a todo instante "Copa para quem?",”Cadê os serviços públicos” “Cadê o tal do legado tão propagado?” “O que é que eu ganho com isso” etc…


Projetos de qualidade não faltaram. Sei que existem centenas de projetos desenvolvidos e apresentados pela iniciativa privada, alguns até obtiveram a chancela do Ministério dos Esportes e do governo brasileiro para promoção do país e envolvimento da sociedade para a Copa e Olimpíadas; mas que acabaram ficando no papel porque nunca houve um real interesse dos gestores quanto ao assunto, por uma visão limitada e simplista da complexidade de um evento deste porte. Projetos que, se tivessem sido implantados, poderiam estar dialogando com grande parte da população, reduzindo sobremaneira o impacto de eventos adversos e contribuindo muito, de forma verdadeira, para a imagem positiva do País e de seus organizadores. Ou seja, perdemos um tempo precioso na elaboração e envolvimento da sociedade em torno do grande evento mundial. 


Receio que essas barbeiragens, percebidas somente agora pelas autoridades, somadas a uma série de denúncias de corrupção e violência, aliadas às disputas eleitorais, sejam objeto de ações e esforços de comunicação com a mesma visão equivocada exposta aqui. 

Caso isso ocorra, não só perderemos a oportunidade de agregar valor e restaurar a imagem já desgastada do País aqui e lá fora(se é que é possível ainda) como poderemos estar acendendo um grande rastilho de pólvora com consequências imprevisíveis. 




Em artigo publicado em agosto de 2013, logo após as manifestações de junho, afirmei: “…Não se combate falhas de gestão com propaganda. Isso tem ficado cada vez mais claro no mundo inteiro. Continuam se equivocando aqueles que pensam que a eficácia das ferramentas, indiscutivelmente necessárias durante a campanha eleitoral, seja a mesma no momento de governar, quando se exige mais ênfase na comunicação social e não no marketing político. Isso beira a ingenuidade. Especialmente em momentos de crise. Por coisas como esta a credibilidade dos políticos brasileiros e a competência de grandes profissionais do marketing eleitoral estão sendo colocadas em xeque… “ Não é por acaso que a queda na avaliação do governo indica uma tendência de queda paulatina, que poderá ou não ser estancada.


Comunicação inadequada e propaganda enganosa é igual a medicação prescrita de forma errada, pode acabar matando o paciente. É preciso pensar o novo! Precisamos de “olhos novos para o novo", como diria Oswald de Andrade. 


João Silva – Um dos publicitários baianos mais premiado do País, autor do número Record mundial de 1.000 marcas, Diretor da Maria Comunicação. joaosilva@uol.com.br

Postar um comentário

AS MAIS ACESSADAS

Da onde estão acessando a Maria Preta